Todo dia é dia de Natal

Walmir da Rocha Melges – Publicado originalmente em 27 de abril de 2006

Todo dia comemoramos algo, pouco importa qual é o dia do ano; todo dia podemos comemorar algo; todo dia nos fazem comemorar algo, sejam as vitórias, sejam as derrotas; sejam as alegrias, sejam as decepções; mas o importante é que sempre estejamos comemorando; a alegria da vitória, de forma medida contida, que não venha ofender o próximo, pois sua vitória pode ser a derrota dele; comemorando os maus efeitos da decepção ou derrota, de forma produtiva, estudando-a para que não venha novamente sofrer os mesmos efeitos. Enfim, a vida é comemoração!

Thomas, bom profissional, dedicado, estudioso, foi dotado por Deus de um pequeno (ínfimo) pedacinho de capacidade concedida a muitos dos grandes pensadores de todos os tempos e assim vive sempre feliz, pois acabou desenvolvendo a pretensão de que pode “enxergar” um pouquinho mais o que corre ao seu lado, o significado real da vida, e aplicando isto na sua vida profissional, pratica, na sua vida profissional; materialmente; os preceitos divinos inseridos no 13 das primeiras Cartas aos Coríntios; que é a prática da Caridade; não com aquele termo já desgastado pelo mundo, que a distorceu dos verdadeiros sentidos que é a de ter um amor responsável por tudo nesta vida.

Assim, Thomas fez sua profissão de fé profissional; de auxiliar todos que necessitem dos seus parcos conhecimentos profissionais; ao mesmo tempo em que tenta aumentar os seus conhecimentos da Lei Divina; e então, Deus e Nosso Senhor Jesus Cristo, vendo a sua dedicação, acaba concedendo-lhe maravilhas, em “enxergar” soluções para problemas, e a desenhar estratégias para a sua solução; tudo isto, na vida material, ou seja, profissional.

Ao lado deste lado, convive com outros fatos marcantes da sua personalidade, que termina por formar um paradoxo, pois ao lado da bondade profissional – cultua há muito tempo, que aqueles que tiveram mais oportunidades profissionais, têm a responsabilidade de dividir, partilhar seus conhecimentos; e o curioso é que somente agora percebe que tudo que fez na sua vida profissional, ensinando, pacientemente seus colegas e pupilos; está sendo-lhe concedido, mais que em dobro, por aqueles que detêm maior conhecimento profissional e espiritual que ele!

Porém, Thomaz, portador de um espírito inquieto e empreendedor; sempre está se metendo em brigas e problemas; situação esta que lhe preocupou por um bom tempo da sua vida, até encontrar uma lição do Nosso Senhor Jesus Cristo que diz “tendes paz com os homens, enquanto possa”; e então, certo ou não, decidiu que quando tiver de brigar, desde que a briga seja calcada na razão, sem emoção, ela deve ser boa, generosa, responsável; caridosa.

Convive então com datas comemorativas o ano todo, onde a sua data profissional maior é uma data flutuante, a mesma que costuma brincar com seus amigos e pares, relacionando-a com o 13 de maio, conhecido como o Dia da Libertação dos Escravos; pois é nesta data, que em cada ano Thomaz comemora a sua data, em diferente dia.

Neste ano (2006) coincide com a própria – 13 de maio; ocasião em que terminam seus maiores afazeres e responsabilidades, da sua profissão, da qual se fez refém por vontade própria, por amor e dedicação, que são as auditorias e consultorias; quando então todos seus clientes já realizaram suas assembleias gerais anuais, terminando um ano, enquanto o clarim toca anunciando o início do outro – exortando todos continuar persistindo – para os contadores e muitas outras profissões – naquela doce prisão, permeada de altos e baixos como todas as demais profissões, de conquistas e derrotas, de satisfações e alegrias; de decepções e desilusões.

As derrotas são sempre pequenas, e a única importância delas é o exemplo do que não deve ser repetido; a lição que deve ser aprendida; porém o preocupante são, na realidade, as decepções, pois estão ligadas ao comportamento humano dos terceiros, que em algum momento foram motivo de maximização da confiança, da credibilidade, da crença no próximo, do uso da ética da conveniência, da necessidade de transformar o dia-dia em jogo; da necessidade de adotar as práticas teatrais, transformando comédia e drama em realidade; apenas, e tão somente, como forma de sobrevivência, seja ela mortal ou material.

Por outro lado, as desilusões sempre são de pequena monta, pois para superá-las basta apenas o uso da compreensão, do amor ao próximo, da persistência, da perseverança, da responsabilidade; da conveniência comprometida com o bem; da esperança do próximo dia, do próximo ato; tal qual, dentro do foco espiritual, passamos a vida, na esperança da próxima vida, aquela que podemos encontrar; tão fielmente descrita, em Coríntios I, que apregoa a transformação do corpo material em corpo espiritual.

Assim, tudo na vida é igual; vida material, vida familiar, vida mental, vida cultural, vida espiritual (e hoje vida virtual, que é aquela vivida dentro da internet). Apenas muda a dimensão e a forma pela qual nos dedicamos. Mudam os locais, os momentos e as pessoas, e assim, passamos pela vida, passando pelas pessoas, ao mesmo tempo em que passamos pelas vidas delas.

Certamente esta reflexão foi elabora sob encomenda de problemas cotidianos. Com muita certeza, os envolvidos somente um dia irão conhecer tal reflexão, e como a produção não pode ficar contida (para que possa vir outras); seguiu então, no primeiro momento, apenas para uns poucos, que certamente não deram causa; e que certamente não guardaram nexo com as ocorrências que trouxeram esta inspiração, a qual foi apenas material por ser ligada apenas a problemas mundanos; porém com fundo espiritual, haja vista que é de lá – da crença em Deus – que provém a força e resistência necessária para a continuidade da vida, para o conforto do enfrentamento dos problemas.

E agora, se perguntam onde está a aplicação do título desta crônica, a felicidade, a satisfação, a auto realização?

Está exatamente na aceitação da vida, tal como ela é, cheia de acontecimentos, cabendo para cada um, como o faz Thomaz, de encontrar o equilíbrio que transforma o negativo em positivo, e dá condições de ver beleza onde aparentemente só existe a feiura.

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