Teoria dos coitados – Refletindo à luz da história, antiga e contemporânea.

Olhando a cronologia histórica daquilo que poderíamos chamar de situação geopolítica do nosso país no desenrolar de incontáveis anos a fio podemos encontrar nuances deveras interessantes das quais podemos retirar conclusões importantes como o fato de que a administração pública tem praticado a distribuição da renda, a aplicação dos fundos públicos, segundo uma nostálgica e ineficiente prática de governo que podemos chamar de “Teoria dos Coitados”.

Os exemplos da péssima aplicação dos fundos públicos, “redundantemente” aqueles arrecadados do povo, já foram aos milhares e quiçá, hoje, o são aos milhões (exemplos, não de dinheiros) e apenas para não irmos tão longe nos lembramos da história do “Velho Chico”, isto é o caudaloso Rio São Francisco que está tão interpolado na possível solução da seca nos estados lá de cima.

Muito dinheiro lá se foi, muitos projetos lá foram engendrados e bilhões de dinheiro lá destinados, porém o objeto das intenções, da arrecadação de votos, dos projetos e do bilhões de dinheiros, tal qual fogo fátuo, se desfizeram na névoa dos tempos, sempre dando lugar para o surgimento de novo projeto, novo salvador da pátria.

E os beneficiários de tudo quanto? Coitados lá estão, permanecem e irão permanecer, sempre desassistidos, mas sempre à postos para que um novo caudal de ideias e dinheiros novamente seja invocado.

Este é apenas um exemplo recorrente daquilo que perenizou-se no nosso país e não obstante tantos pretensos idealizadores de soluções aparecerem ao longo dos anos, nunca pudemos encontrar alguém com ideal, força de vontade política e mandato positivo, suficientes para tudo alterar e dar o rumo necessário, normal e prudente para o “estado das coisas”.

Com isto, comprova-se o uso amplamente irrestrito daquilo que estamos chamando de “teoria dos coitados”, e porque não o utilizar, haja vista que lá estão eles, sempre no aguardo, ansiosos, pela chegada do novo salvador da pátria.

Coitados então, permanecem na base da pirâmide social, sempre sem a proteção prometida, coitados então, situam-se no topo da pirâmide social, coitados de espírito, os quais, hoje começam a frequentar as colunas policiais e jurídicas.

Mas, nem só coitados frequentam este ingrato e cruel descompasso, pois também comparecem os convenientes, tanto na base da pirâmide pois já se acostumaram a ser utilizados e, acomodados, contentam com tão pouco em tão pouco tempo, quanto no topo da pirâmide, sempre a postos para “tirar uma lasquinha” para si mesmos, muito embora as notícias da mídia contemporâneas estão aí à demonstrar o tamanho descomunal das lascas sociais de cunho financeiro em papel moeda sempre atual.

E assim, onde ficam realmente os coitados? Situam-se dentre os realmente necessitados, no topo da pirâmide com sanhas? Ou permanecem dentre todos, apenas contribuindo com os seus 125 dias de trabalho anuais obrigados a manter a arrecadação governamental que tudo alimenta, principalmente os sonhos, tanto daqueles que pretendem ver seus problemas de subsistência solucionados, quanto suas sanhas de poder e dinheiro oriundos do mundo da ganância?

Walmir da Rocha Melges – 23 de junho de 2015.

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