Shopping Centers – o nascer de uma nova era

Já desde a era de 60 que nós brasileiros vemos a chegada deste enlatado americano que é o “Shopping Center” o qual traduzido em nossa língua é apenas um “Centro de Compras”. O primeiro a se instalar foi o Iguatemi em São Paulo no ano de 1966 e o segundo no estado de São Paulo foi o Ibirapuera. Fora de nosso estado foram instalados mais alguns e a cada inauguração percebe-se que esmeram-se mais na decoração, mercadorias ofertadas ao público visitantes e em novas maneiras de chamar visitantes e em novas maneiras de chamar visitantes, fazer com que voltem sempre e o mais importante, fazer com que comprem, que gastem ao menos uma quantia por menor que seja.

Dia 10 de setembro de 1981 tivemos a inauguração do gigantesco Eldorado Shopping Center uma estrondosa “embalagem” de 40.000 metros de concretos, granitos, espelhos e fontes de água capaz de abrigar 150 lojas. Alheios ao atual clima de recessão, o Grupo J. Alves Veríssimo não mediu esforços ou despesas no afã de criar o que seria o “Shopping” mais luxuoso do mundo. Sua decoração baseada em deslumbrantes fontes de água iluminadas e oito elevadores panorâmicos deixa pouco a desejar, mas o barulho provocado pela queda d’água supera o volume da música ambiente em alguns lugares cobre o tom normal de voz.

Quem lá vai para conhecer, se for simplesmente com o espírito de conhecer, sairá satisfeito, mas se for com o intuito de fazer compras provavelmente pouco comprará, pois os preços são invariavelmente mais caros que o Iguatemi e o Ibirapuera, lá se encontra a ostentação e pouca comodidade a disposição das lojas não oferece aos visitantes aquele clima de “em casa” que pode-se encontrar nos outros dois shopings de São Paulo, não resta dúvida que é uma digna de ser vista, mas talvez não reflita todos os desejos ansejados pelos seus dirigentes. Motivado pelo alto valor locativo das lojas, as mercadorias sempre terão valores acima dos preços normais da praça e como o próprio J. Alves Veríssimo instalou em lugares preferenciais duas lojas de departamentos do grupo, as duas com o nome de Eldorado Plaza, dificilmente conseguirão atrair para lá aqueles empresários que são seus concorrentes. Verifica-se que muitas lojas que lá se instalaram, já sabem de antemão não terão lucratividade, mas precisam por força no mercado de “manter a presença” para não deixar a concorrência se aproximar.

Provavelmente passada a época da euforia da novidade, os visitantes voltem ao Iguatemi e ao Ibirapuera, o qual no conjunto todo é muito mais bonito e confortável que o Eldorado. Contudo, vale a pena conhece-lo e verificar o desenvolvimento de nossa construção civil e até onde vai a criatividade de nossos profissionais de decoração e ornamentação.

Walmir da Rocha Melges – Publicado originariamente no jornal “A Gazeta de Lins” em 7 de outubro de 1981

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