O tropeiro

Ulysses Melges – 1980

Quando o galo canta,

O negro véu se recua,

Atrás do monte o sol desponta,

Surgindo a aurora branca e nua.

O tropeiro de pele castigada,

Que dia a dia o sol enfrenta,

Seguindo sempre a mesma estrada,

Na luta insana, que pouco acalenta.

De um a um, sua tropa vai encilhando,

O valente tropeiro de braço forte,

Num novo dia que vem raiando,

Soltando a tropa rumo a norte.

E a poeira que vai se levantando,

Do rastejar dos cascos que vai partindo,

O tropeiro atrás vai respirando,

A nuvem de pó que vai subindo.

Enquanto percorre a tropa com seu olhar,

Sua mente vagueia confusa,

Sem saber por que, nem pode explicar,

Da inspiração que não tem musa.

Tropeiro por certo, de inspiração,

Porque o trabalho não compensa,

Sozinho errante na solidão,

Marchando continuo, na jornada imensa.

Na luta estafante, e seguida,

Que traz um cansaço de morte,

Na lenta passagem da vida,

Sem nunca encontrar a sorte.

Assim segue o tropeiro,

Sem saber até quando,

Chegará o fim do roteiro,

Que o destino vai marcando.

O tropeiro velho e cansado,

Tristonho desiludido com a sorte,

Pensativo, confuso e magoado,

Pede a Deus, que dê a morte.

Ele que viveu, sem família e sem lar,

Sempre num rancho a beira da estrada,

Viveu seu sonho sem nunca realizar,

Chegando ao fim, com a alma esfacelada.

Na primeira geração da família Melges, João e Jacintho, foram tropeiros.

Na segunda geração da família Melges foi o Ignácio Melges.

Na terceira geração da família Melges foi o Edson Melges.

Com este conhecimento é que me veio inspiração.

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