O CASO DAS COLHERES NA LUTA DO ESTÔMAGO CONTRA A RACIONALIDADE

Acabo de retornar do restaurante por quilo e como não poderia deixar de ser, com mais um flagrante da vida real ocorrido na fila da alimentação quando compareceram, à minha frente uma senhora e logo a seguir a mim, três senhores fardados com lindos ternos pretos que passam do primeiro milhar, presumivelmente advogados, quando um deles, ao servir-se de uma colher grande de arroz dirige algumas palavras de reflexão em voz alta envolvendo tantos da fila quantos quisessem participar da sua reflexão: Nossa” Será que esta equivale à duas colheres daquelas de sopa?, e assim deu margem para respostas e eu, mas que rápido falei que não eram duas, mas sim três e o diálogo prolongou-se até que ele disse que iria conversar com a dona do restaurante para desempatar uma vez que estava visivelmente contrariado, em minha modesta opinião, em uma luta do seu estômago contra a sua racionalidade, advinda, certamente, das instruções do seu geriatra par manter-se esbelto.

Ele conversou com seus amigos tentando demonstrar que seriam apenas duas colheres, os quais me pareceram que concordaram com ele, talvez para não perderem a amizade e logo chegamos à dona do local que estava de prontidão na balança e respondeu de pronto à ele: olhe, certamente dará umas quatro ou mais colheres, e eu, para não perder a brincadeira emendei para ele que a moça poderia ter tido de forma complementar: Meu senhor, como advogado, o senhor já deveria saber a relatividade das coisas e fui embora, sabendo que tinha deixado ele, deveras incomodado.

Ouvi ele ficar resmungando algo com os seus amigos em torno de como saber sobre colheres, e como gosto de uma brincadeira, mesmo correndo o risco de que ela se acirre, disse baixinho para mim mesmo: Espere até pagarmos a conta, e tão logo eles se levantaram, eu que havia cronometrado nossas colheradas, levantei-me também e chegamos pertinho ao caixa para quitar o resgate do consumo.

Pedi licença e perguntei se poderia “aumentar um aparte” no “case” das “Colheres na luta do estômago contra a racionalidade” ao que ele respondeu afirmativamente e então eu assim pespeguei: Ao ouvir a Simone (dona do restaurante) responder quatro colheres ao senhor, eu não pude deixar de me lembrar que em quarenta e quatro anos eu nunca encontrei um caso onde “as partes” (referindo à processos judiciais) tenham ficado contente com o Perito. Como ele concordou de pronto eu deixei de finalizar que dentro do meu ponto de vista, a dona do restaurante errou ao dizer quatro pois na realidade são apenas três.

Walmir da Rocha Melges – 26 de maio de 2015

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