Nascimento na madrugada do barulho

Nascimento na madrugada do barulho - Madrugada - Nascimento na madrugada do barulho

Foi em uma destas noite que tudo aconteceu, e a par da algazarra que nos acordou, ficamos todos felizes e satisfeitos com o ocorrido.

Não me lembro bem a hora da madrugada, mas em determinado momento aquelas belas e estranhas aves começaram a gritar e conversar em altos brados, acordando todos e então fiquei quieto lá no meu quarto, matutando sobre o que poderia ter ocorrido. O primeiro pensamento é de ter havido invasão de pessoas, mas depois, analisando o barulho e não encontrando passos ou grandes movimentos, acabei pensando em um ataque de raposas ou do lobo guará, mas em seguida raciocinei que se assim fosse, aquela tribo não teria ficado no mesmo local “esguelando”, mas sim, teriam voado para longe.

Pensei por uns momentos em lançar mão da minha espingarda de socar pela boca, mas logo me lembrei que ela é apenas um mero adorno, um objeto de decoração e então de nada iria adiantar, e então, decidi apenas ouvir por mais uns momentos e não escutando movimentos furtivos, voltei a dormir, não sem antes refletir sobre este estranho pássaro, do qual algum ancestral quis imitar os gatos e miar, mas diante da impossibilidade da sua garganta gutural, emite apenas um simulacro de miado, e ao emitir o som, sai apenas um MEAU, ao invés de um miau, mas a verdade é que como aves que se protegem a noite nos galhos mais altos e finos das árvores, sempre ao redor da sua casa, onde sentem-se mais em segurança, representam verdadeiros e fiéis cães de guarda, tal e qual aqueles famosos gansos da história antiga.

É claro que somente descobrimos a origem de tanta gritaria, de tanta “meação” noturna quando acordamos na manhã seguinte e então, enxergamos ali no pasto, a apenas 30 passos da nossa cozinha, o esclarecimento de tudo: uma assembleia de pavões, contendo quase 10 pavoas formadas em círculo ao redor de algo que não conseguíamos enxergar, no meio do capim e ao lado, o chefe da tribo, o general supremo que meu filho ganhou há dois anos, acompanhado da sua esposa e formando um casal, que ali estava atento para tudo, olhando firme para os lados e ameaçando com o olhar e as asas o galo e a galinha que já haviam se aproximado, também tentando enxergar o que ainda não sabíamos o que era.

E assim, lá ficaram ainda por quase duas horas, mas certamente desde a madrugada gritante, protegendo aquele círculo mágico que veio mexer com tudo e com todos.

Ah! Estou me esquecendo do que se trata. Tudo aquilo foi parte do circo do nascimento de seis pavoezinhos, onde um deles sucumbiu pisoteado por um dos grandes, mas a prova lá está no nosso terreiro, a “choca” com os seus cinco lindos filhotinhos, pastando por todos os lados e já se acostumando – os pequeninos – com aquele gigantesco bicho que parece ameaçador, o bicho homem.

27 de setembro de 2013 – Autor: Walmir da Rocha Melges

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