MÃE PEDALA SEM CESSAR

Então, aquela mãe, movida pela decisão mais fácil passou seus anos insensível ao aumento da sua dívida fiscal não se lembrando que seus atos estavam marcando época e dando exemplos – maus – aos seus filhos sobre como solucionar os problemas da falta de dinheiro.

Assim lançou mão da sua bicicleta virtual e temerariamente pedalou ladeira acima e contra a correnteza, acidentes de repercussões geográficos e quânticos, representados pela simples razão comum que teimava em indicar que a única saída seria a redução dos gastos, haja vista que o aumento da receita iria penalizar por demais os seus filhos, muitos já em estado de sucumbências.

Chegando ao final de um período, aquela mãe, que tantos cheques sem fundos havia emitido, protegida pelo conhecimento que tinha por aqueles que gerenciavam – e forma errada – os fundos daquela família, ela, teimando em inferir que os fundos tão grandes eram que não tinham fundos, ela, aproveitando-se do detalhe temporal que concedeu à ela algo que causasse temor aos gestores, aos diretores, executivos dos bancos, como também aos presidentes dos conselhos de tais instituições, foi ordenando que eles pagassem os seus saques sem fundos, e eles, medrosos e inconsequentes, movidos pelo temor, esquecendo-se da razão, da ética e da moral, tanto quanto daquilo que os determinam o limites da obrigação social, foram pagando.

O comum emite um cheque sem fundos e imediatamente é ligado ao SPC, ao SERASA, e sujeita-se às barras da lei, e assim ficamos, a sociedade, presos, reféns, da dicotomia, da desordem, da desobediência civil de quem é pago para fazer valer a obediência; de ver que os demais comuns, portadores de condições legais incomuns – cargos públicos e posição de mães e pais da sociedade, eles pertencentes às classes que criam as leis e as regras, todos estes, praticam também o ato comum de emitir o cheque sem fundos, porém, para eles nada acontece, e para o cúmulo do absurdo, ainda angariam outros agentes públicos, tios e avós da mesma sociedade, dando o mau exemplo e apoiando, justificando o ato falho – emissão do saque sem fundos – tentando desviar a atenção e tentando impingir um novo nome para o ato falho, taxando-os de meras pedaladas.

Falhou a mãe da nação, e não sabemos ainda até onde ela falhará, tal qual falhou o seu antecessor, pai da nação. Qual a penalidade aplicável a eles? Qual é o SERASA que vai inscrevê-los e impedi-los de comerciar, tal qual ocorre com os demais comuns?

Falhou, enormemente os nomeados pela mãe e pelo pai da sociedade, quais sejam os executivos, diretores, gestores, presidentes de conselhos, tanto quanto aqueles pertencentes aos órgãos fiscalizadores de tais personas.

Se nada ocorrerem para eles, cúmplices e cumpridores das pedaladas, poderemos condenar a sociedade que os taxam de verdadeiros “paus mandados”?

Qual seria a representação, para a sociedade, de verem a falta de solução das pedaladas, de verem a justificativa – inglória, injusta e ilegal – que não justifica, de verem que nada acontece de penalidade aos agentes ativos que cometeram o que hoje é taxado como pedaladas, de verem que nada é impingido de responsabilidade aos agentes passivos que permitiram a ocorrência das pedaladas, tanto quanto aos que assistiram que tudo ocorresse nada agiram.

Quiçá, talvez à sociedade somente seja reservada a certeza de que a lei cabe somente para coibir os erros e desmandos da sociedade, porém, àqueles que por ela foram eleitos, tanto quanto aos mandados – nomeados pela mãe, padece a lei.

Porém, ó povo, ó sociedade, não tente, de forma alguma, seguir o exemplo da mãe do povo.

Walmir da Rocha Melges – 27 de dezembro de 2015

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