Mãe (A dor da partida, uma esperança não perdida)

Ulysses Melges

Uma partida em 14 de janeiro de 1928 – Uma lembrança em 14 de janeiro de 1978

Mãe, porque você partiu?

A meio século, meus olhos não mais a viu,

E minha alma ainda vagueia a procurar,

Precisamente cinquenta anos se passou,

Mas em minha memória nada apagou,

A sua imagem que não vai apagar.

Num dia de sol ou de chuva, nem sei,

Quando pela manhã a procurei,

E senti que você estava fugindo.

Meu pressentimento não falhou,

Porque naquele dia a paz se acabou,

E um vendaval em minha alma veio surgindo.

Ainda criança, onze anos eu tinha,

Ao imaginar a desolação que vinha,

Daquela inesperada partida.

Você como minha mãe imaculada,

Naquela partida inesperada,

Da morte, deixou minha alma ferida.

Num pressentimento aterrador,

Que se tornou em realidade e dor,

Deixou-me até hoje, como se fosse criança.

E numa seqüência de tempestade sem fim,

Ainda sinto o ardor dentro de mim,

Da catástrofe que não tem bonança.

Não sei só Deus sabe,

E ainda espero que tudo se acabe,

Num encontro em outra vida.

Foi uma flecha certeira a separação,

Quando senti esfacelado o coração,

Com a dor que até hoje, se acha retida.

Mãe, este ser que só existe,

Em toda nossa vida que consiste,

Num mesclado de dor e ilusão.

Em que, hora rindo ou chorando,

A procura da paz e não encontrando,

Só queria dela, a benção.

Para mim a sua imagem ainda existe,

Como um raio de luz que persiste,

Iluminando meu nortear.

Para que não fique ao léu navegando,

Confuso, estonteado, embasbacando,

Pelas ondas da vida, que procuram barrar.

Mãe me deu carinho e amor, me deu tudo,

Mas sua partida deixou-me mudo,

A voz parou na garganta, nem posso falar.

Mas esperando na promessa eterna,

Onde existe espaço e luz paterna,

Creio que nossas almas, voltem a se encontrar.

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