Freio moral

Muitas regras regem o curso da humanidade e determinam o seu caminhar e destino!

Não fosse o freio moral a humanidade ainda estaria na escuridão dos tempos com todos vivendo em total desregramento, cada um seguindo a sua própria vontade e se pautando tão somente dentro da ética da sua conveniência; e mesmo assim, dentro do que podemos chamar de sociedade desenvolvida, ainda existem países e povos na escuridão do subdesenvolvimento, os quais ignoram os preceitos básicos da educação moderna – dita mais polida; como também existem em todos os países os chamados bolsões formados por pessoas que já possuem o brilho do desenvolvimento, da educação e do conhecimento, mas ainda fazem questão de manter o ranço da escuridão norteando os seus atos.

O único motivo pelo qual hoje encontramos povos mais civilizados é que eles passaram aos poucos por um processo evolutivo onde foram adotando regras de conduta que foram tolhendo, coibindo e diminuindo o imperialismo da ética da conveniência individual, as quais funcionando como freio moral contribuíram para a formação do ideário moral e social de cada povo, e assim, estudando os ideários podemos constatar que eles se dividem, primeiro em dois grandes grupos, ou temas (fundo religioso, e fundo filosófico); e depois se subdividem em variações do mesmo tema.

Certamente os estudiosos dos grandes temas terão suas preferências e buscam comprovar que o seu tema preferencial é quem deu início a tudo, mas muitos indícios indicam que nos tempos passados pode ter havido apenas um tema, que é o fundo religioso, próprio do entendimento das pessoas carismáticas em relação as leis de Deus, que produziram as regras que foram absorvidas e traduzidas em um linguajar mais popular pelos pragmáticos, que muito embora apliquem os mesmo conceitos, tiram dele a conceituação do nascedouro divino.

Neste raciocínio, podemos tipificar as doutrinas que regem os mundos em dos grandes grupos, de um lado as doutrinas religiosas e de outro as chamadas doutrinas materiais ou sociais; cada grupo com milhares de ramificações ditadas pela interpretação das variadas correntes religiosas e filosóficas.

Certamente o freio moral é valioso, necessário e essencial para o desenvolvimento de um povo, pois forma uma consciência coletiva, vinda do imaginário e idearia individual; e o objetivo deste estudo é o de refletir sobre o freio moral motivado pela religiosidade do povo, onde os princípios foram criados e ou inspirados por um Pai Criador, que antes de tudo criou o mundo e o universo tal como o conhecemos.

É importante ressaltar que respeitamos os pontos de vista diversos do nosso, e nossa reflexão não deve ser entendida como uma afronta a eles, nem muito menos um acinte; mas sim, e expressamente, representa apenas a manifestação de uma reflexão sobre um tema pontual, que é o estudo do freio moral ditado pelas regras da religiosidade.

Assim sendo, partimos do pressuposto tido e aceito pelo povo cristão de que o Pai Criador ditou suas regras de conduta através de mandatários – representantes – que viveram aqui neste mundo tal qual as demais pessoas que conhecemos, mas que foram escolhidos para propagar as boas novas que são em sua síntese regras de comportamento neste mundo material, que irão contribuir para o desenvolvimento espiritual dos povos, qualificando-os a ascenderem aos céus, a Nova Jerusalém e outros nomes, específicos de cada doutrina.

Dentro deste raciocínio, o corpo material, formado pelo pó da terra e o espírito divino, permanecem um determinado tempo neste mundo material e depois retorna, o pó ao pó de onde veio e o espírito ao Pai Criador, tal qual está descrito nas Sagradas Escrituras Cristãs.

As regras doutrinárias são então fruto da manifestação da Inteligência Maior através de pessoas naturais que aqui viveram, experimentaram, observaram, sofreram, refletiram e foram inspirados para registrar primeiro no imaginário dos povos – pela história oral antes do advento do papel – e depois pelos escritos, quando já havia sido descoberta a técnica da transferência de conhecimento gráfico.

Podemos citar então, sem a pretensão de esgotar a lista, ou mesmo o assunto, algumas das doutrinas de fundamento religioso que contribuíram para a formação moral dos povos; as quais agrupam em dos principais conceitos espirituais, um que aceita a ressurreição e outro de que aceita a reencarnação; que por sua vez subdividem em cristã, islâmica, budista, xintoísta, judia, maometana, hinduísta e outras muitas, as quais por sua vez, mesmo sendo já uma subdivisão possuem ramificações menores com pequenas diferenças de credo, ou a seja a forma de professar a sua fé.

Algumas reconhecem o mundo espiritual e outras apenas utilizam-se dos conceitos religiosos como uma fábula de ordem filosófica; enquanto que outras aceitam a hipótese da influência do mundo espiritual no mundo material, e assim proliferam-se conceitos oriundos das cartas religiosas de todos os dogmas, onde temo o exemplo da utilização do ditado de separar o joio do trigo, que é a forma mundana de escolher uma pessoa boa dentre outras que não sejam tão boas; que difere totalmente dos ensinamentos de Cristo, que pregava este conceito apenas no ponto de vista espiritual.

Todas estas doutrinas formam então o que chamamos de freio moral, que nada mais é do que um estado onde o indivíduo está situado, que é o estado de consciência, ou seja ele tem conhecimento de que existe boas e más ações; e a partir deste reconhecimento, utiliza os conceitos religiosos – ou ainda os filosóficos – como um divisor de águas que delimita a moralidade dos seus atos; porém isto não significa que ele seja bom ou mau, mas sim que a sua consciência está aceitando e os bons preceitos que fazem o seu comportamento se revelar como bom perante uma determinada comunidade, lembrando que alguns comportamentos são aceitos por um povo e outros são combatidos.

Lembramos então o costume que é considerado inadequado na civilização ocidental, que é o arroto, mas que na civilização oriental, principalmente a chinesa, é apenas uma manifestação de agrado do alimento que o indivíduo acabou de ingerir.

Percebemos então que a moralidade e a ética são princípios que são aceitos por uma determinada sociedade ou comunidade, o que implica dizer que muito embora todos possam estar lendo e estudando a mesma fonte, como no exemplo das Sagradas Escrituras Cristãs, cada um poderá tirar lições diferentes do mesmo parágrafo, do mesmo versículo, olhando então dentro do seu prisma de vida, dentro das regras que o seu povo aceita.

Quanto ao freio moral imposto pela lei do homem podemos dividi-la em regras sociais, antropológicas, leis oriundas da livre ou auto-regulamentação, e aquelas emanadas do poder governamental, de ordem política e ou organizacional.

Como não queremos incluir uma reflexão política no nosso estudo, preferimos citar os exemplos das regras e leis que regem as profissões, criadas pela necessidade de organização, normatização e respeito humano. Assim, cada profissão regulamentada possui o seu cabedal de regras delimitando como cada profissional deve comportar no exercício da sua profissão.

Concluindo, de uma forma geral, todos os povos seguem regras de comportamento, nascidas do fundamento religioso ou do social, e assim formam as correntes filosóficas e doutrinárias, de caráter divino ou mundano; todas elas valiosas e necessárias a manutenção da ordem social de cada povo, e cada uma gerando adeptos e seguidores, bem como administradores, orientadores e ministrantes.

Cabe então ao indivíduo escolher – como obrigação necessária a sua sobrevivência – qual será o caminho pelo qual vai trilhar e pautar suas ações. Isto reponde então as suas necessidades, e em seguida, a profissão de fé em determinada doutrina ou corrente filosófica, responde aos seus anseios humanos. Em seguida, chegamos a um ponto interessante:

Onde está a verdade? Qual é a verdade? Aliás, qual é a minha verdade e qual a sua verdade, ou ainda a sua verdade é a mesma que a minha? Eu devo tentar impor a minha verdade sobre os terceiros que não compactuam comigo?

É necessária então nova reflexão, pois primeiro devo refletir se eu posso ou não tentar impor a minha verdade a terceiros. Devo indagar se eles irão aceitar, mas antes de tudo preciso indagar se as leis do meu país permitem que eu imponha a minha verdade aos demais, ou se, como no caso brasileiro, a Constituição permite que todos tenham liberdade de ir e vir, de credo e na forma de professar a sua fé, religiosa, doutrinária ou filosófica.

Se a lei do país permite a liberdade, o fruto da minha reflexão somente poderá ser que eu devo respeitar a liberdade do meu próximo e então devo respeitar a vontade do próximo.

É claro que o indivíduo pode fazer um trabalho de evangelização, material ou espiritual, e tentar arregimentar outros para a sua forma de ver a verdade; mas de forma alguma ele pode tentar obrigar os terceiros, nem muito menos impingir penalidades ou perseguições a eles. Da mesma forma não pode impingir críticas, principalmente as coletivas.

Tudo isto podemos encontrar não somente na Constituição Brasileira, refletido nas constituições estaduais e nas leis orgânicas dos municípios, estatutos das fundações, associações, atos de constituição de empresas e entidades; como também, e principalmente, está tudo registrado nos estatutos que Cristo deixou ao mundo; e se analisarmos as escrituras e os mandamentos das religiões não cristãs; nela também encontraremos o mesmo determinante (extrato, princípio ativo), que é o do respeito ao próximo.

Podemos lembrar que em um filme de mais de 30 anos está retratado isto, no dizer das palavras de um velho mestre de artes marciais falando para um dos seus gafanhotos, quando fixava na mente daqueles jovens que antes da força física humana vem o que chamamos a força do respeito. Também naqueles ensinamentos lá estava a ética universal funcionando como freio moral.

Tudo isto é muito interessante pois se o indivíduo não pode impor a sua verdade, o inverso não é verdadeiro; haja vista que a sociedade, o grupo social, o povo, a corporação, eles sim – coletivamente – podem impor a sua verdade ao indivíduo, restando então ao indivíduo apenas o consolo de utilizar-se do seu livre arbítrio – presente de Deus – e a sua decisão de ir e vir, de aceitar ou não, de permanecer ou ir embora ou de ficar – direito constitucional.
O que importa então ao indivíduo é agir, pautando-se pelo freio moral que é imposto pela sua sociedade, pela sua corporação, pela sua motivação ou inspiração religiosa, sendo certo que todas estas, mundanas ou divinas, recomendam o bom comportamento e o respeito ao próximo.

Se houver o respeito ao próximo, está certamente havendo o respeito á Deus e a si mesmo; mas se faltar o respeito ao próximo e a lei do país, certamente faltará o respeito a si mesmo; para não falar que estará desrespeitando a Deus.

Um dia colocamos um tema para discussão em um grupo de cerca de 50 pessoas e ali ficamos algumas horas discutindo se existe algo que possa ser dito que é uma verdade absoluta; e depois de muita discussão e exposição de ideias e exemplos o grupo chegou a conclusão da não existência da verdade absoluta, mas sim, que tudo é relativo e está relacionado com alguma outra coisa.

Para encerrar a discussão lancei apenas uma reflexão onde eu dizia que na minha forma de ver – na minha verdade, aquela que eu aceito – é que existe verdade absoluta.

Certamente fui inquirido a comprovar a minha tese e então apenas respondi que tenho a consciência de que um dia eu vou morrer, e também que dentro de todo conhecimento que existe no universo eu não sei – não conheço – nem um milionésimo de um por cento.

Encerramos a reunião naquele dia com este pensamento, muito embora eu saiba que brinquei ao menos com uma das respostas, pois quem estava ali falando não era a matéria, mas sim o intelecto, que vem do espírito, da alma concedida por Deus; e que se o espírito volta a Deus que o deu, então também eu não morrerei, pois seguirei avante em espírito.

Como o objetivo daquele dia era de apenas provocar a reflexão – como o é no caso desta crônica – e não o de levantar uma discussão, então foi válida aquela minha resposta.

Walmir da Rocha Melges – Publicado originalmente em 8 de outubro de 2009

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