Flagrantes da vida real de um contador

O professor, curioso com a cena, veio até minha cadeira que era na primeira fila para ver o que lá estava e então eu fiquei abruptamente de pé…

Quando cursei Ciências Contábeis no início da década de 70 é claro que internet e computador eram apenas “coisas de filmes futurísticos” e nossa leitura e aprendizado fora da academia eram os livros, os Diários Oficiais e algumas poucas revistas fiscais, a maioria dela ainda incipientes, porém, o dinheiro ainda era pouco e então o estudo fora da academia era na raça e na reflexão, no diálogo com os colegas mais antigos e com os funcionários graduados de cada repartição pública, desde a municipal até a federal, e autárquica – como se dizia antigamente, e a partir do momento em que outros ficavam sabendo que você gostava de estudar, apareciam para dialogar, questionar, trocar ideias e pedir ajuda.

Assim era a nossa nobre profissão contábil naquela época. Com o tempo ocorreram coisas interessantes como um comerciante te parar na rua e dizer: estou estudando um problema meio complicado e já pedi que meu contador te procure. Em maio de 1973, aos 24 anos eu era proprietário – sócio gerente – de um escritório contábil com 10 funcionários e em maio de 1980 vendi a minha participação no escritório e me assentei em atividades de assessoria e consultoria, dando continuidade nas perícias judiciais já iniciadas em dezembro de 1975.

Bom, na realidade, o motivo deste registro hoje é dizer que o “gatilho para esta lembrança” foi uma publicação feita hoje em grupo do Facebook criado pelo nobre colega Mestre Loberto Sassaki da cidade de Brasília, e que me trouxe a seguinte cena à mente:

O ano foi 1975, a ocorrência em uma aula de contabilidade no quarto ano de contábeis na FACAC Lins quando eu ouvi o professor nos aconselhando que “quem quiser ser um bom contador precisa estudar bastante e se quiser ser um consultor ele precisa carregar no seu carro os principais livros de contabilidade e legislação para poder atender o seu cliente na hora exata e provar ao cliente qual o fundamento do aconselhamento.

Como o professor decidiu repetir por várias vezes o mesmo assunto, apenas alternando as palavras, eu pedi licença a ele e perguntei: “professor, esqueci uma coisa importante no meu carro, posso ir buscar”. Ele olhou intrigado e perguntou se eu iria voltar mesmo. Como eu apenas levava duas ou 3 folhas de sulfite nas aulas e uma caneta, esta já era uma pergunta recorrente.

Respondi SIM, volto em mio minuto e assim foi. Voltei do carro carregando uma mala 007 da Sansonite – que eu tenho até hoje – pesada para caramba, e a abri na minha cadeira. O professor, curioso com a cena, veio até minha cadeira que era na primeira fila para ver o que lá estava e então eu fiquei abruptamente de pé, o professor levou um pequeno susto e eu comecei a tirar livros de dentro da pasta e perguntar a ele: “este livro é bom professor” …. Bom, as risadas foram gerais porque eu tinha 7 ou 8 livros na pasta, que realmente eu carregava no porta-malas do carro pois já tinha começado pequenos serviços de assessoria e consultoria, inclusive atendia um cliente em uma cidade a 95km da minha, para onde eu iria na manhãzinha seguinte.

É claro que o professor não gostou da brincadeira, mas ainda mantivemos a amizade por longo tempo até que ele se mudou para uma cidade à 115km e perdemos o contato.

Walmir da Rocha Melges – 14.02.2021

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