DIÁLOGOS SOCIAIS MODERNOS – A sociedade dialogando com ela mesma.

Sem margem de dúvida estamos passando por uma época muito rica no tocante aos DIÁLOGOS SOCIAIS, os quais diariamente assistimos, lemos e ouvimos tanto na mídia impressa, falada e televisiva, quanto aquilo que ouvimos de nossos conhecidos e amigos, porém apesar da quantidade e fluência verborrágica, constatamos que não são assuntos edificantes, pecando sempre pela falta de conclusão objetiva em prol da cidadania.

O que já ficou provado é que os assuntos discutidos fogem dos limites do direito [civil-criminal-fiscal-de propriedade, etc.] e adentram, de forma adensada, perpassando pelos limites da razão e da moral, demonstrando fatos que afrontam a ética da sociedade contemporânea, por serem ocorrências de comportamentos imorais, ilegais, antiéticos e amorais.

Por certo mantém aderência com o cenário semelhante ilustrado pela escritora Adelaide Carraro no seu livro A FALÊNCIA DAS ELITES sobre a falsidade reinante na sociedade brasileira nos anos 60, e o cenário da sociedade americana retratado na mesma década por Harold Hobbins em seu livro OS INSACIÁVEIS e por Jonathan Black em seu livro OS AMORAIS.

Assim, enquanto a sociedade jurídica provê o enquadramento jurídico dos fatos ao direito positivo dominante, e a sociedade assiste atônita ao ENROLA-DESENROLA que não tem fim e supera o enredo das melhores novelas mundiais, o indivíduo, ATOR ATIVO dos fatos, bem que poderia submeter-se à psicanálise, quiçá, a única ciência que poderia leva-lo a modificar-se através da reforma do seu íntimo, aquele mesmo íntimo que já se tornou ÊXTIMO, e exteriorizou para todos tudo quanto vai na sua alma revolta e amoral.

Na realidade este tipo de ATOR ATIVO nunca precisou do concurso da psicanálise para chamar o seu íntimo e misturá-lo com seu ÊXTIMO, mas apenas, sempre mantiveram isto a sete-chaves, compartilhando isto apenas com os seus pares, familiares e pequeno círculo virtuoso à sua volta, todos, certamente d mesmo calibre.

Que ele, ATOR ATIVO, extrapolou os limites do direito e aprofundou-se no campo da psicanálise, todos já o sabemos, e assistimos, e então lá estão, ator ativo e seus pares, discutindo o verbo ser no afã de tentarem comprovar o “não ser” [corrupto], muito embora os sinais de seu ÊXTIMO já esteja estampado em todas as mídias, e quando inquiridos a responder em relação ao TER [possuir], somente conseguem balbuciar meras palavras fruto da arte da tergiversação, pois “aquilo que não se comprova não possui prova” a não ser o exercício da fuga tergiversativa que comprova o ser [corrupto].

Esperemos que a sociedade se reformule, caso contrário, haja divã para os prejudicados!

ÊXTIMO é termo cunhado por Lacan para expressar a relação de continuidade que o íntimo mantém com o exterior do indivíduo, ou seja, na aplicação desta crônica, a exteriorização do íntimo à sociedade, e a falta de vergonha em assumir isto.

Walmir da Rocha Melges – 1 de março de 2016

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