Conversas e debates sobre política

Conheci primeiramente os grupos de Debate no Facebook sobre a política no início deste ano, não me lembro se em janeiro ou fevereiro, quando algum amigo me adicionou e passe a receber as conversas.

Muito embora eu já tivesse o perfil no face há muito, não havia ainda dado nenhuma atenção para esta mídia e então, nada conhecia dos recursos e usos naquela data, e assim, para aprender a dinâmica acabei ficando por uns tempos.

Devo dizer que eu havia participado de grupos de discussão, de 1996 – 2022, com o uso de mensagens de e-mails, em grupos sobre genealogia, filosofia e auditoria interna, nos quais também sempre haviam os desentendimentos (não como os que assisti nos grupos sobre política) e então as mensagens de e-mails multiplicavam-se pelas centenas, e aquele sistema era complicado para quem quisesse acompanhar as discussões de verdade, o que me obrigava a criar filtros de coleta/separação com a criação de pastas separadas por assuntos no Outlook, conjugadas com regras de filtragem.

Assim, fiquei neste ano por cerca de 60 dias ouvindo e participando um pouco, e confesso que me horrorizei por muitas vezes, pois eu enxergava discussões sem objetivo, muitas sem nexo, e outras que nada iriam acrescer nas solução dos problemas do município, mesmo porque, percebi logo, que os dirigentes e candidatos municipais, pelo menos de forma direta, não participavam do grupo, e então, oficialmente nem sabiam do que se discutia, onde as conversas restavam infrutíferas.

Como tenho uma carga de trabalho muito grande acumulada nos meses de março- maio, decidi sair do grupo, em breve diálogo com o coordenador de um dos grupos informei que retornaria posteriormente, o que ocorreu.

Retornando, novamente fiquei horrorizado com muitas conversas, uma vez que em muitos momentos, fogem da razão comum e chegam nas raias das ofensas pessoais; mas, como bom Linense, decidir ficar e praticar um pouco o que tenho feito a minha vida toda, que é refletir, racionalizar e tentar comunicar as minhas conclusões.

Utilizo, intensivamente uma forma de raciocínio de refletir e racionalizar, e a época mais antiga da qual me lembro de fatos é quando, cumprindo o serviço militar e seguindo o conceito de que estando no exército não teria tempo para os estudos, acabei entrando no curso xxx que era correspondente ao científico e ao técnico da época.

Em seguida segui outro rumo, o das ciências contábeis, passando pelo Técnico no IAL, e em seguida a faculdade na FACAC (hoje Unisalesiano), e logo mais a especialização em auditoria e finanças na Unimar, sempre refletindo, racionalizando e tentando comunicar.

Assim, posso falar do uso deste método em várias facetas. Como aluno comparecia na escola, desde o técnico, levando como material escolar apenas a peça que considero mais importante do ser humano, qual seja a cabeça, e mesmo diante de professores e mestres que sentiam-se incomodados com aquele que não anotava, mas perguntava, continuei até o final da especialização, sem o uso dos cadernos.

Todos nós gostamos de algo e possuímos o defeito de que achar que todos devem gostar daquilo que gostamos. Com muitos dos meus amigos que gostam do futebol, vejo que nunca entenderam porque eu não gosto de futebol, também tenho este defeito, o de pretender que os demais também gostam de refletir e racionalizar, e que isto poderia revolucionar a vida de qualquer um, mas tenho a consciência de que isto é apenas uma verdade relativa.

Tudo isto, para falar porque passei estes tempos nos grupos de discussão política, aliás, politiqueiras, tentando racionalizar e provocar visões das mesmas conversas que pudessem auxiliar aqueles que gostam de refletir.

Como sou especialista em auditoria, este ato, de conferir, é básico para mim; e representa apenas uma forma de comprovação das minhas convicções (profissionais quando trabalho, e pessoais quando estudo).

Tenho plena certeza de que para muitos estudiosos, a participação nestes grupos cumpre várias necessidades e anseios deles, o lado profissional por ele ser estudioso da área, e o lado pessoal, que o levou ao profissional, como também ao coletivo que é a aplicação daquilo que ele estuda na vida acadêmica e profissional.

Para mim, também acontece assim, ou seja a participação nestes grupos se deu por uma somatória de fatores, alguns ligados a necessidade e outros a vontade do estudo, e como não sou, nem tenho a pretensão de ser um filósofo, um antropólogo ou algo semelhante, digo apenas que sou um observador da humanidade, que observa e relata o que viu ou assistiu.

Da minha vistoria nos grupos de algumas cidades, e de algumas reportagens que tenho visto, percebi que aquilo que interessa para os participantes, é realmente o calor da discussão; e assim, muito embora eu não concorde com este formato, decidi um dia não mais ficar tentando racionalizar as discussões, mesmo porque cada um tem suas ideologias partidárias e assim fui ficando por ali nos grupos exercendo uma coisa que gosto muito: o aprendizado. Muito aprendi com esta estranha forma de conversar!

O interessante de tudo é que conclui que, de repente, até eu, posso aprender a brincar (jogar) neste gigantesco tabuleiro de xadrez onde as pedras têm não somente vida própria, mas também, movem-se ao sabor de seus desejos!

Walmir da Rocha Melges – Publicado originalmente em 25 de julho de 2012

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