Como nasceu Thomas Nigel Melchior

Thomas Melchior nasceu há muito tempo, e diferentemente dos demais mortais – muito embora ele não seja um deles – nasceu em duas fases.

Mentira! Nasceu em três fases!

Seu primeiro nascimento ocorreu há cerca de trinta e cinco anos, quando passou a assinar artigos técnicos e outros inerentes ao ambiente de negócios, em jornais e revistas regionais, porque o autor não queria identificar-se, seja para conseguir assistir o efeito das suas idéias no anonimato, ou porque achou interessante imitar o gesto de muitos grandes escritores; e hoje, por mais que pense; o escritor não consegue descobrir o que o influenciou na adoção de um pseudônimo, e na escolha do nome, justamente com a grafia em língua estrangeira; não a grafia do nosso Tomás da “Cabana do pai Tomás”.

Lembro-me ainda que um dia a esposa de um cliente do autor – proprietário de uma grande revendedora de motocicletas Honda em cidade média do interior – incomodada em ver artigos publicados em dois jornais da cidade, pretensamente com o nome do seu marido “Thomaz” – sem ter percebido a diferença de grafia utilizada pelo autor “s”, diferente do “z” do nome do seu esposo, tanto insistiu com os proprietários dos dois jornais, que eles terminaram por identificar – entregar – o autor; que para seu horror, era justamente o consultor organizacional que os assistiam na sua empresa.

Rapidamente ela telefonou para o consultor e agendou uma reunião, ainda naquela manhã, para discutir assuntos “quentinhos”; preparando então o circo, e pretendendo surpreender até o seu esposo. Iniciada a reunião, disse ela que antes de discutir os assuntos fiscais, queria informar todos de um ponto muito importante, que estava lhe incomodando há muito tempo; e diante da anuência do esposo, discorreu sobre suas preocupações sobre o tal escritor que estava há tempos utilizando o nome do seu esposo para divulgar idéias nos jornais da cidade – havia descoberto que até em Araçatuba já havia sido utilizado o nome; porém ela, na sua ansiedade, nem percebeu o misto de sorrido que eram trocados entre o seu esposo; empresário influente na cidade; com o consultor (autor).

E então, findo a sua peroração, informou a todos que estavam na reunião – tinha até um gatinho que entrou e gaiato antes na sala de reunião, e que “por ser da família” permaneceu quietinho no seu cantinho – que o autor das idéias nos jornais, era justamente o consultor, ali presente. Imagino que até hoje ela esteja “brava” com seu marido, pois sua resposta surpreendeu: Ah! Isto eu já sabia há muito tempo; ele me informou logo no primeiro dia, antes de começar a prestação de serviços para nós; e como eu gosto do estilo de escrever dele, das suas idéias; e até me divirto, pois desde que cheguei nesta cidade, todos pensam que sou eu o autor dos artigos. Mas você ainda não sabia?

Pois bem; o primeiro nome já estava bem solidificado, lá no passado, e então a adoção do seu segundo nome, comemorando então o seu segundo nascimento; quem sabe um renascimento, ocorreu a apenas alguns meses (meados de 2005), em um processo de mudança de espírito, quando então, o escritor, que depois de ter abandonado os temas empresariais e tributários; por muito tempo somente conseguia escrever sobre o que chama de idiossincrasias humanas, ou seja, os problemas os comportamento, com foco nos relatos de acontecimentos negativos; passou por um grave problema de saúde, adquirindo duas hérnias discais; cumuladas com um desvio vertebral nas costas e um deslocamento do quadril; que produziu muitos frutos pessoais, principalmente o seu primeiro conto onde discorreu sobre a dor; aquela inseparável companheira da humanidade, encerrado com chave de ouro na forma de um poema ou soneto de despedida.

E então esta dor serviu de cristalizador dos fatos, de amálgama de uma nova era, onde passou a escrevinhar – como prefere falar – sobre temas diversos, na forma de cartas, contos e crônicas; também narrativas, segundo sua amiga (escritora e poetisa) Cláudia; dando assim margem para o renascimento intelectual, quando surgiu novamente o Thomas, agora adquirindo seu sobrenome “Melchior”, em honra do primeiro Melges detectado pelo escritor em suas peregrinações genealógicas nos vários cantos do mundo; inclusive nos microfilmes dos Mórmons; donde encontrou o Leonard Melchior, nos idos de 1.676, casado com Maria Mees; pai do primeiro Melges (Matt ou Mathias) a assinar tal sobrenome (Melges) na velha Alemanha às margens do rio Mosel na ainda pequenina cidade de Briedel, onde ainda vivem pelos menos duas famílias com o sobrenome Melges.

O motivo pelo qual o casal, com sobrenomes Melchior e Mees, decidiu colocar o sobrenome de Melges em seus filhos, certamente ficará incógnito até o final dos tempos; e então o escritor decidiu que ao chegar o tempo de dar sobrenome para o seu Thomas, deveria homenagear o pai de todos os Melges, adotando a forma de Thomas Melchior; e curiosamente tomou tal decisão em um momento em que percebeu uma pequena aversão da sua mulher pela sua leitura da semana, de um pequeno livreto chamado O Monge e o Executivo, onde um autor, americano, discorre sobre um hipotético treinamento transcorrido em um mosteiro, ministrado por um executivo que após todas suas vitórias nas batalhas profissionais e ver desaparecer sua esposa, vítima de doença fatal e inesperada, decidiu abrigar-se em um mosteiro, para reflexão, onde recebia pessoas de todas as partes do mundo para discorrer sobre a formação de lideranças.

É claro que o escritor ficou surpreso ao notar a estranha aversão da sua querida esposa diante do livreto, e ficou pensando se o fato estaria ligado a um medo pessoal dela de que isto pudesse acontecer com o casal; mas a realidade é que o livreto, ou melhor, a historieta pungente e ingênua, esconde verdades importantes e fez com que o escritor refletisse vários conceitos; mais uma vez, como acabou por concluir.

Disse o escritor à sua querida esposa, que a principal lição que a historieta lhe demonstrou – muito embora isto nem esteja escrito ou mesmo insinuado naqueles escritos – é que a sua vida profissional sempre foi marcada por sucessivos e exaustivos aprendizados; sempre dos mesmos assuntos; e que a cada novo aprendizado, via novas facetas e descobrias novos conceitos, sempre do mesmo assunto; o que o levou a concluir que na vida – como já o dizia seu cliente João, dono de consórcio em Araçatuba, há mais de vinte anos – nada se cria, tudo se aproveita, tudo se copia; aditando então a este pensamento a sua reflexão de que o eterno aprendizado envolve sempre o mesmo assunto, a cada dia, estudado sob diferentes prismas.

E assim, em meio a tais reflexões, de que tudo é e deve ser reinventado, Thomas ganhou o seu sobrenome de Melchior; mas hoje, depois de alguns acontecimentos o autor percebe que a historia ainda não havia terminado; pois sempre que estava inspirado e que iniciava em sua cabeça uma história envolvendo o seu pseudônimo, acabava por chamá-lo de Thomas Nigel; e então, nem bem iniciado o ano de 2006, Thomas Melchior é obrigado a adotar novo sobrenome; não Mees como sua hipotética mãe; mas Nigel, passando então a assinar, doravante, o nome de Thomas Nigel Melchior. Por que; ninguém o sabe.

Walmir da Rocha Melges – Escrito em 4 de janeiro de 2006

Copyright © 2018 Todos os direitos reservados para Walmir Melges | Desenvolvido por Consultoria Marketing - Criação de site

DMCA.com Protection Status

Fazer login com suas credenciais

Esqueceu sua senha?