Carta ao senhor Cansaço

Senhor cansaço.

Decidi escrever-lhe para fazer um registro das nossas relações e ao mesmo tempo propiciar uma reflexão sobre nossas andanças, que possa servir para alicerçarmos nosso futuro, e então espero que o senhor não fique bravo, principalmente se perceber que eu esteja decidido a diminuir sua influência em minha vida; podendo ter a certeza de que não pretendo eliminá-lo.

Se ora escrevo é porque já pensei muito nos seus efeitos e analisei detidamente seu comportamento; principalmente porque faz muitos anos que o senhor me acompanha; certamente não tentando me escravizar, mas dando condições de que eu me mantenha refém de mim mesmo, refém de minhas convicções.

Começamos nosso relacionamento há muito tempo, e ele somente não é mais longo que meu relacionamento com meus pais materiais e meu Pai Celestial; porém, sei que todos eles, certamente já se divertiram como os encontros e desencontros do nosso relacionamento; delimitado; certamente; pelo meu livre arbítrio, pelo meu direito de ir ou vir, de aceitar ou dispensar; porém, hoje vejo que não te dispensei tantas vezes quantas seria aconselhável que o fizesse; como vejo também que ainda tenho tempo de sobra – muito embora a vida seja curta – para controlá-lo e colocá-lo no eu devido lugar; afinal de contas, acho que o senhor já percebeu, que nesta relação a dois, sou eu quem dá as cartas, sou eu quem imprime a velocidade dos nossos atos – todos eles, certamente, já escritos pelo nosso Criador, no livro da nossa vida.

Lembro-me que o senhor é teimoso e que me acompanha e desafia há muito tempo; porém, tenho consciência de que o usei – e não vou pedir desculpas – durante minha vida toda; sempre que minha conveniência o indicava, para produzir progresso na minha vida pessoal, familiar, profissional e social; mas, como tudo tem um fim, tudo tem limite, espero que o senhor se contente com as mudanças que Graças ao Nosso Senhor, já estou conseguindo imprimir em minha vida; ou será que são as mudanças que Ele decidiu imprimir?

Certamente, mesmo detentor do livre arbítrio, e do livre direito de ir e vir, de aceitar ou dispensar, sempre reconheci que somente fazemos o que Ele determina; o que Ele já definiu para nossa vivência terrena; e acho que o senhor também sabe disto; como também o sei que o senhor somente produz ações reflexivas do meu comportamento, que nunca agiu por sua própria vontade; mas sim, por aquilo que já estava prescrito e decidido.

Diz agora, porque quero mudanças? Certamente não o é por mero capricho, mas sim, pela consciência de que o ser humano deve progredir, deve revolucionar dia a dia sua vida, como também de todos aqueles que puder influenciar.

Se eu sei que as mudanças estão ocorrendo? Claro que o sei; e prova disto é que esta carta foi escrita, não quando eu a intuí – por reflexo Divino na minha consciência – mas sim, somente agora, dias depois, por Concessão Dele, e por conveniência minha, exercendo sobre ti, meu livre arbítrio; e outra prova é que esta é escrita não as 23:10, como sempre acontecia com os demais escritos, mas sim, as 13:10; livre dos seus efeitos; pois constatei na pele, ao longo da minha vida, que eles – seus efeitos – são terríveis, e que o senhor é inclemente – até acho que somente lê a lei do Talião, e ainda não chegou ao Novo Testamento que nos trouxe a Lei do Perdão, da Compreensão.

Pois bem, senhor cansado; façamos nossas contas, nossos ajustes; e reconheça que como eu, você também deve sentir a força do passar dos anos; faça a sua parte, contente-se com o diminuir da minha velocidade, pois certamente nada poderá fazer só; como sempre o foi; e acima de tudo, lembre-se que é apenas um reflexo da minha vontade de produzir progresso na minha e daqueles que me rodeiam.

Acredito que por sua vez, eles já tenham percebido as mudanças; e se ainda não perceberam, ou não compreenderam, certamente um dia hão de perceber e compreender; e a realidade é que da mesma forma como não estou me preocupando com a sua reação, com a sua vontade, também não estou preocupado com a deles, pois o que devia ser dito já o foi, o exemplo que havia de ser dado também o foi; e então, cabe, agora, comente a eles, agirem, também segundo a sua vontade, e segundo aquilo que seja prescrito pelo Criador.

Mas fique ciente, de que se em algum momento eu necessitar dos seus préstimos, irei tirá-lo da morosidade, do seu sossego, que certamente também vai apreciar; e então, novamente nos colocaremos a luta; afinal de contas, alguém ou mesmo eu, ainda poderemos necessitar de mais um pouco de ação.

Walmir da Rocha Melges – Publicado originalmente em 7 de novembro de 2005

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