Associação Profissional dos Contabilistas de Lins: Autos de Recuperação histórica diante da luz dos documentos

Associação Profissional dos Contabilistas de Lins: Por insistência do nosso colega Nilson Pinheiro fiz em 24.09.2012 uma revisão de meus escritos anteriores versando sobre a história da nossa Associação Profissional dos Contabilistas de Lins, adicionando fatos na redação original e no conto inicial que eu à ele enviei em 09.07.2012, discorrendo sobre uma pequena parte da vida inicial da Associação Profissional dos Contabilistas de Lins.

  • Denominei este trabalho, de Autos de Recuperação histórica diante da luz dos documentos.

Introdução

Algumas ocorrências fizeram com que alguns colegas me procurassem e acabamos conversando mais sobre o assunto, como também com cidadãos que participaram ou assistiram as histórias ocorrerem e então, qualquer hora irei reescrever novamente, usando as informações que foram rememoradas com e através deles.

Peço desculpas aos amigos e colegas, pois para contar a história da nossa associação profissional, preciso contar parte da minha vida, uma vez que fiz da contabilidade a minha vida e na minha vida me empenhei pela contabilidade, e então, acabo misturando, neste histórico, a primeira e a terceira, palavras do singular e do plural.

Da Associação

Nossa associação foi fundada em 2 de fevereiro de 1965 através de Assembleia Geral Extraordinária para discussão e fundação, realizada no Escritório Contábil Ipanema, que funcionou por muito tempo na Rua Vol. Vitoriano Borges naquele prédio da esquina com a Rua Floriano Peixoto, e era de propriedade da esposa do cidadão Joaquim Ferreira dos Santos, membro ativo da Loja Maçônica União Brasileira.

  • Naquela data, foi escolhida a denominação social de Associação Profissional de Contabilistas e Escritório de Serviços Contábeis de Lins, que passou a funcionar sob a liderança do contabilista Jonas Prudêncio da Silva, partindo de uma comissão composta por Jonas, Mário Gardinal (que secretariou) e o meu saudoso primo Carlos Teixeira Prado, que era contador da Cooperativa de Cafeicultores de Lins, para dirigir os trabalhos até a eleição e posse da primeira diretoria.

Posteriormente, em 23 de junho de 1965, realizou-se a primeira Assembleia Geral Ordinária na sede da Associação Esportiva Linense na Rua Luiz Gama, com a presença de 18 contabilistas, quando tomou parte da mesa o Sr. Alvari Romancini (hoje chamado Ramacini), o qual, muito embora não fosse contabilista, era amigo de todos, era distribuidor de produtos para os escritórios de contabilidade, e estava auxiliando os trabalhos de constituição da entidade.

Dentre as tratativas, foi aprovada a primeira ata e houve considerações do contabilista Jair Rosa, que era contador da Fiação e Tecelagem Linense, bem como do Orlando Fitipaldi, que tinha escritório de Despachante Policial e Serviços Contábeis, o qual propôs que o nome fosse modificado para Associação Profissional dos Contabilistas de Lins.

  • Manifestaram ainda Yemasa Kikuta, que tinha escritório de contabilidade no prédio onde hoje é a Radio Alvorada na Rua Olavo Bilac defronte com o Clube Linense e Carlos Teixeira Prado (que secretariou “ad-hoc”), quando ficou marcado o dia 20 de agosto de 1965 para a realização das eleições.

Assinaram a lista de presenças:

  • Carlos Teixeira Prado (contador da Cooperlins).
  • Jonas Prudêncio da Silva (escritório próprio).
  • Mário Gardinal que era o proprietário do Escritório Contábil Gardinal na Rua Rodrigues Alves no prédio vizinho da A Instaladora do Raphael Scare (onde trabalhava o Paulinho Bedore que depois entrou no Banespa).
  • Eliseu Figueiredo do Escritório Contalex na Rua Pedro de Toledo defronte da Delegacia de Polícia e tinha como sócios o Henrique Akira Sakakura e Itiro Sakakura.
    • (Eliseu compunha com seu irmão uma dupla sertaneja chamada Zino e Zineu)
  • Oswaldo Bueno de Arruda (contador e empresário que tinha estabelecimento na Rua D. Pedro I defronte ao Posto Violato.
  • Irineu Batista Violato (sócio e contador do Posto Violato).
  • Paulo Alfredo Farina do Escritório Contábil Farina.
  • Castorino Floriano da Silva que tinha o Escritório Castorino na Rua Floriano Peixoto no local onde hoje existe um estacionamento.
    • Naquela época residia uma família de agricultores que vendiam laranjas.
  • Toshio Iamauti sócio do Escritório Contábil e Jurídico Kitisi Iamauti que funcionava na Rua 21 de Abril em frente da Farmácia São Vicente do Carlos Toyoda, em um prédio que hoje pertence ao Banco do Brasil, logo acima do açougue Liberdade que foi do meu pai Ulysses Melges.
  • Orlando Fittipaldi (Despachante).
  • Antonio Cleido Jordani (Escritório).
  • Yemasa Kikuta (Escritório Kikuta).
  • Luiz Nacamura (contador do Chiquinho Junqueira onde também trabalhava Sebastião Daudet Rossler e Luiz Nakamura.
  • Jair Rosa (Contador da Fiação).
  • Noboro Oshiro.
  • Paulo Rodrigues.
  • Nobal Shiroma.
  • Laudo Arnaldo Banwart que era sócio e Contador da inovadora Mini Loja.

Realizou-se então a assembleia eleitoral em 20 de agosto de 1965 com a presença de dez contabilistas:

  • Jonas Prudêncio da Silva (CRCSP 9213).
  • Jair Rosa (CRCSP 9399).
  • Carlos Teixeira Prado (CRCSP 35978).
  • Eliseu Figueiredo (CRCSP 41520).
  • Armerino Vicente (CRCSP 38486).
  • Yemasa Kikuta (CRCSP 30940).
  • Mário Gardinal (CRCSP 31416).
  • Antonio Munuera Filho (CRCSP 39873).
  • Noboro Oshiro (CRCSP 11364).
  • Castorino Floriano da Silva (CRCSP 9225)

Em votação secreta, foram eleitos, Jonas Prudêncio da Silva para Presidente, Yemasa Kikuta para Vice, Mário Gardinal para Secretário, e Carlos Teixeira Prado para Tesoureiro.

Em seguida votou-se as contribuições, ficando para os proprietários de escritório, uma joia de seis mil cruzeiros e a mensalidade de três mil cruzeiros, e para os não proprietários, uma joia de três mil cruzeiros e a mensalidade de um mil cruzeiros.

  • Eu me lembro que quando entrei para a Associação em 1973 paguei também uma joia, mas não me lembro o valor.

Percebi que nesta relação de profissionais da contabilidade faltaram muitos dos contabilistas da época, tais como Reynaldo Becari (Escritório Becari), André Mellara e que era o contador da Casa Ipiranga, Antonio Samora e que era o contador e gerente da agência local de uma exportadora de café, Américo Welte que tinha Escritório próprio na rua Campos Sales, e certamente muitos outros.

  • O cidadão Joaquim Ferreira dos Santos marido da proprietária do antigo Escritório Ipanema, por não ser contabilista não aparece na ata de fundação oficial, e sua esposa era muito arredia as reuniões da classe.

Comprova-se desta forma que a fundação foi cercada de toda publicidade necessária e que foram respeitados os princípios básicos da democracia e da legalidade, concedendo-se tempo para que a classe pudesse melhor escolher seus eleitos.

Quando me associei

Eu entrei para o quadro de associados da Associação Profissional dos Contabilistas de Lins, nos idos de 1973 quando adquiri o Escritório Contábil Cardeal do colega que havia decidido tentar a sorte na cidade grande.

Quando me associei encontrei uma entidade da qual participavam apenas os proprietários de escritório, poucos deles, os quais se reuniam apenas semestralmente para discutir a tabela de honorários e lá encontrei os seguintes colegas:

  • Jonas Prudêncio da Silva, eterno Presidente.
  • Joaquim do Escritório Ipanema.
  • Vanir Saraiva dos Santos que havia montado escritório na Rua 21 de Abril em uma pequena sala vizinho de um comerciante de café Sr. Abud em um prédio que depois fez parte da instalação do Banco América, Itaú América e Itaú, logo acima da Farmácia São Vicente e de uma pensão e restaurante de japoneses.
  • Dirceu Casarini de Carvalho que nem sempre aparecia e tinha escritório em uma sobreloja da Rua XV de novembro defronte da Farmácia Drogalins, tendo como sócio seu irmão Cássio Casarini de Carvalho (que era o delegado do CRCSP em Lins).
  • Eliseu Figueiredo do Escritório Contalex.
  • Toshio Iamauti que era sócio do Kitisi Iamauti.
  • Yemasa Kikuta.
  • Mário Gardinal que já tinha admitido o Yamada como sócio.
  • Raramente o Irineu Batista Violato.
  • Jair Rosa.
  • Meu primo Carlos Teixeira Prado já tinha mudado para São Paulo onde foi contador de uma entidade de exportação de café.
  • Orlando Correia, famoso Orlandinho, sempre amigo de todos, que era contador da Luzitana.
  • Posso ter me esquecido de um ou dois.

O Reynaldo Becari que era o contador das maiores empresas da cidade inclusive da Associação Comercial onde foi muito atuante, e também por possuir filial em Ilha Solteira comparecia muito raramente.

Paulo Alfredo Farina que fazia a escrita de muitos dos investidores de Lins e já tinha atividades com representação de letras de câmbio, tal qual o Becari, já possuía interesses diversos dos demais proprietários de escritório.

Me lembro que no Escritório do Kitisi trabalhavam o menino Rubens Rosa, o Oswaldo Masserano, uma senhora idosa baixinha que residia na Rua Avanhandava, vizinha de onde depois residiu o Kitisi, e da qual não me lembro o nome.

Com o Farina já trabalhava o Paulo Carenci, e com o Jonas já trabalhava o José Luiz Requena, os quais depois fundaram o Escritório Lupa.

Depois retornou para Lins o José Antonio Borguette de Oliveira que com o Jorge Ueno montaram o Escritório Checape.

Apareceram outros escritórios, como o Orlandinho que era contador da Luzitana e montou o escritório Paulista, o Oripes Amâncio Franco que era contador do Geraldo Mazzetto (seu sogro), o Nilson Pinheiro que montou escritório na Rua Luiz Gama, o Alcidir Formigone que tinha escritório de contabilidade e serviços administrativos para alguns clientes onde atuava seu sócio José Roberto Montanha Senno (ambos egressos do Banco Mercantil onde eu também trabalhei), o José Carvalho, e também um senhor que era contador de fazendas.

Como adquiri meu escritório contábil

A história de como comprei meu escritório é bem curiosa:

Naquela época (abril/1973) eu cursava Ciências Contábeis na antiga Facac, hoje Unisalesianos e na minha classe tinha um colega da cidade de Presidente Alves que também tinha ligações com a cidade de Pongai chamado Abílio Peres. Naquela época eu era o Gerente Administrativo e Financeiro do Comercial Palma e havia sido contratado pelo Antonio Bosco Ribeiro e o Sr. Antonio de Souza Palma para ser contador da empresa, Revendedora Olivetti para Lins e grande região, que era cliente do Escritório Becari.

Antes deste período eu fui contador da CIAL, empresa de máquinas e implementos agropecuários do Cyro Penteado e do Norival Raphael da Silva, onde fui sucedido pelo José Martins que antes era gerente do Escritório do Reynaldo Becari e foi sucedido – no cargo – pelo Israel Verdeli que lá havia entrado como boy anos antes, e hoje [2018] possui o maior escritório contábil da cidade.

Apesar de ter um bom emprego, como todo jovem eu queria fazer algo a mais e então fui comprando aos poucos alguns instrumentos que naquela época – ainda longe da era da computação – eram necessários para a montagem de um pequeno escritório, os quais fui acumulando na cada dos meus pais.

Um dia ao chegar na faculdade, juntamente com o meu já falecido amigo Tadashi Sato, encontrei o Abílio Peres no alto da escadaria e por algum motivo entramos no assunto profissional quando ele contou que havia adquirido o Escritório Cardeal e que estava com muitos problemas para solucionar, e eu perguntei a ele se não queria vender “algumas escritas pequenas para mim” ao que ele respondeu que não venderia, mas se eu quisesse ser seu sócio ele toparia, e eu perguntei qual porcentagem e ele disse que venderia até 50%,quando combinamos de ir, naquele mesmo dia, logo depois de uma prova que teríamos, para ver as instalações.

  • Terminada a prova fomos até lá, quando eu conheci o escritório que consistia de um salão com mais ou menos 10×10 mais uma pequena sala, uma pequena copa e um banheiro.

É claro que naquele minuto a minha cabeça já estava a mais de mil por minuto (não por hora) e acabamos fechando negócio, sem fixar o percentual que eu teria, o que iríamos estudar dentro de alguns dias e logo no outro dia já cuidei de pedir minha demissão na Comercial Palma.

Passei no Banco Mercantil onde ainda era gerente o Sr. Homero Cândido Diniz, depois substituído pelo Pedro Chiquito Lopes que foi contador substituindo o Alcidir Formigone, sendo que aquele gerente me prometeu que emprestaria o valor que eu quisesse (ele havia sido meu gerente quando trabalhei naquele banco) e então reunidos estes quesitos com a coragem (destemor ou temeridade) eu comecei a trabalhar, quando então fiquei conhecendo a verdadeira história daquele Escritório Cardeal.

Imediatamente alterei o nome para Organização Contábil Eldorado, seguindo sugestão do Dr. Afonso, um advogado que utilizava parte da pequena sala, onde permanecia sua secretária Margareth Brumatti, irmão do Arquimedes Brumatti. Afonso era funcionário do Patronato Anita Costa.

Como o antigo proprietário havia decidido buscar novos horizontes na Capital do Estado e o novo comprador não havia assumido de vez o escritório, encontrei o caos, com mais de 120 pequenos clientes a maioria com a contabilidade e registros fiscais atrasados, entre prestadores de serviços, bares das vilas, profissionais liberais e algumas poucas pequenas empresas do centro da cidade como o Bazar Obara de propriedade de Yashuo Obara.

Visitei todos os clientes em poucos dias, informei que era o novo dono onde me deparei com a natural desconfiança daqueles que já estavam preocupados com a situação criada por um velho dono que havia desaparecido e deixado muitos problemas sem solução e outro dono que havia comprado o escritório, mas não visitava ninguém e nem era encontrado no escritório.

  • Assegurei a todos que no meu caso seria diferente e comecei a trabalhar.

Realmente os problemas e acumulo de trabalho era gigantesco, mas percebi que naqueles problemas havia um grande presente, quais sejam os honorários que poderiam ser cobrados para colocar tudo em ordem e assim aconteceu, pois a par de existir balanços e declarações não entregue, existiam também alterações contratuais por fazer e algumas empresas por terminar de constituir, representando então dinheiro para entrar.

Em pouco tempo o Abílio demonstrou realmente desinteresse e eu percebi que ele havia comprado o escritório, mas ainda não havia pago nada ao antigo dono, nem ao Antonio Samora, que havia ficado como intermediário dos problemas deixados pelo antigo proprietário, e então, o Samora, vendo minha disposição para a luta, fez proposta de que eu fizesse um acerto com o Abílio para ele desistir da compra e ficaríamos sócios eu e Samora. Discutido o assunto com o Abílio, ele topou a parada pois não queria abrir mão das escritas que já tinha em Pongai e Presidente Alves, e assim a vida seguiu o curso natural.

Fiquei com meu escritório na Rua Olavo Bilac até 1975, quando mudei para a Rua Floriano Peixoto defronte do escritório do Castorino, ficando pertinho do Kitisi com o qual havia iniciado estreita amizade desde o início da faculdade, conforme havia acontecido também com o Hermes Paulo Denis, Jandyr Paizan, Gilberto Siqueira Lopes e outros excelentes professores daquela primeira turma de contábeis em uma faculdade que iniciava a sua vida sob a batuta forte do Padre Arientho Domeniqui.

Retornando à Associação

Retornando ao assunto associação, inicialmente ela funcionou por muito tempo com apenas os proprietários de escritório, e isto se deveu, em minha opinião ao desinteresse inicial da maioria dos contabilistas que apenas labutavam nas empresas e não viam interesse em se associar, e isto continuou até 1981 quando começamos o movimento de renovação, de erigir uma nova fase da associação, (Walmir, Nilson Pinheiro, Alcidir Formigoni, Orlando Correia).

As sementinhas de uma nova associação havíamos plantados, eu e Nilson ainda nos bancos da faculdade, com a adesão do Formigone e com o tempo do Orlandinho Correia incluído neste pequeno grupo pelo Nilson, e ao longo dos anos de 1973 até 1981 fui reforçando os laços profissionais e de amizade com os demais proprietários de escritórios, os quais viram com bons olhos aquela renovação.

O colega Jonas tinha a preocupação de que contabilistas que não fossem proprietários de escritórios dariam uma outra dimensão que não interessava para aquela época, mas nós argumentávamos que teríamos duas classes de associados, os empregados em empresas e os proprietários de escritório, até que em 1981, conseguimos uma maior adesão de colegas e partimos para a transformação.

Revisando o assunto hoje, me lembrei das fotos que temos arquivado, as quais ajudaram a escrever os primeiros eventos que realizamos, e quem sabe, novas histórias sobre a Associação Profissional dos Contabilistas de Lins.

Autoria:

Walmir da Rocha Melges – Escrito originalmente em 16 de março de 2003, atualizado em 23.03.2018, versando sobre a Associação Profissional dos Contabilistas de Lins.

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