A reconstrução nacional

Mercê das alterações advindas da nova carta magna de 1988, passaremos ainda por um longo período de adaptações permeado por convulsões em alguns setores, enquanto nossos juristas se debruçam em suas mesas e se põem a escrever a enormidade de dispositivos legais que deverão reger o relacionamento social e econômico das próximas décadas.

Um dos setores que mais tem criado polêmica e dissabores na relação entre a sociedade e os meios produtivos, ou seja entre o capital e o trabalho, é o setor dos direitos sociais, onde os legisladores muito prometeram, incluíram inovações, mas pouco previram na consequente causa e efeito, ou seja esqueceram-se de assegurar a viabilidade dos efeitos.

Assistimos nestes dias uma verdadeira situação de guerra trabalhista, onde o noticiário do cotidiano acaba estampando na maioria de suas manchetes e notícias, assuntos ligados a greves, discussões, mesas redondas, congressos, reuniões e outros encontros de pessoas em um frenesi de se chegar a algum lugar nas relações do trabalho.

Onde chegaremos, ainda não sabemos e talvez somente o saibamos quando de lá já estivermos saindo, mas a realidade é que a situação está ficando insustentável gerando problemas tanto para o capital como para o trabalho, pois se o trabalhador não se sente em segurança quanto ao seu emprego, também o empresário não se sente em segurança quanto ao seu patrimônio, pois a medida em que novas alterações econômicas são promovidas, vê seus bens serem dilapidados e corroídos pelo sistema inflacionário, onde as altas taxas de aplicação acabam levando os mais incautos a desovarem seus estoques e passarem a investir seus recursos nas aplicações financeiras, saborosas, atraentes, mas momentâneas e este processo, leva de um dia para outro a descapitalização dos meios produtivos, pois após algum tempo de aplicação financeira, acabam não mais conseguindo repor seus estoques e realmente o que tem de concreto é que o objetivo do meio empresarial é vender, é renovar estoques, é fazer girar suas mercadorias para desta forma conseguir produzir bens e recursos que assegurem a continuidade do negócio.

Desta forma, é preocupante esta situação, e ela deverá perdurar ainda por um tempo e somente chegará a um ponto final quando o relacionamento social, econômico e financeiro se aprimorar e cada um ocupar o seu lugar.

Muitas leis ainda serão escritas e promulgadas para formar novamente de uma só forma o sistema financeiro, o sistema previdenciário trabalhista, as relações comerciais e a consolidação dos direitos civis e aí então, estaremos com a carta magna realmente promulgada, isto é absorvida de forma consciente pela sociedade para qual ela foi escrita, e então, talvez a mutação natural dos tempos já novamente  no lance, no estudo de uma outra carta, adequada aos novos tempos, pois sempre estamos enfrentando novos tempos, novos horizontes.

Ao par desta constatação, fica por outro lado uma pontinha de esperança, num verde ainda esmaecido de que tal não seja necessário e que ao final das atualizações legais que a nossa frente estão, esta carta perdure e produza frutos por muitas décadas, até a chegada dos netos de nossos netos.

Enquanto isto, cabe-nos encarar a situação com paciência e compreensão, estudo e dedicação, para que consigamos auxiliar o processo de conscientização das mudanças que já iniciaram ser implantadas.

Autor: Walmir da Rocha Melges

Publicado no Jorna “O Imparcial! de Adamantina em 06.07.89

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