A Grande Paciência (crônica sobre livro e novela)

Walmir da Rocha Melges – publicado originalmente em 21 de outubro de 2012

Curiosamente terminamos ao mesmo tempo, eu ler a grande novela de Jostein Gaarder chamada “O Dia do Curinga”, e o povo Brasileiro assistir a grande paciência de João Emanuel Carneiro, e se aquele, norueguês, preocupou-se em transmitir ideais e valores, este, não português, mas sim brasileiro, da mesma forma preocupou-se em transmitir ideais e valores, ambos ao mundo, variando no conteúdo e mensuração apenas em relação ao pseudo estágio cultural de cada povo, o norueguês dito como de primeiro mundo e o brasileiro, não português, dito como de terceiro mundo, mas ambos se encontrando na necessidade de ilustrar o povo e oferecer situações e momentos de reflexão, aquele através do que chamou de “a grande paciência” e este falando de uma “grande novela”, mas tal qual uma, também a outra imita a vida e a ilustra de forma adequada ao pensar de cada povo.

Ambos ofereceram bons momentos de reflexão e revisão de valores mas enquanto que este decidiu tudo esclarecer nos últimos momentos, até acompanhando a nova onda de moralidade imperante onde o culpado deve pagar, sim, pelos seus erros, mesmo que em uma pena quiçá pífia de apenas 3 anos durante as quais ninguém envelhece, no mundo da paciência do povo Brasileiro, igualmente aquele demonstrou que o personagem principal, o curinga criado da cabeça do marujo que foi jogado do brigue de prata na ilha que não para de crescer – o mundo da filosofia – continuará para sempre vivo perambulando de cá para lá, sempre longe do povo, sem fixar suas raízes, sob pena de que os amigos produzidor pelo ato de fixar raízes o identificarem e perceberem que não envelhece. Assim, ambos se perenizam, cada um pelo seu lado, mantendo-se no ideário popular, mas este deixou aparentemente incompleta sua missão na medida em que não esclareceu se aquela que foi como Anita para Atina (Atenas) em busca de se encontrar, realmente se encontrou, ou foi apenas vencida pela razão do amor, porém este também não explicou a transformação radical da Carminha descontrolada na Carminha rancorosa mas justa.

Tal qual permanece agora a pergunta sobre qual será esta nova parte do destino da Carminha no grande jogo da Grande Paciência da Vida, também permanece a questão se Hans-Thomas voltou para Dorf lá no alto dos Alpes para assumir aquele que parecia ser o seu destino, e continuar o trabalho do padeiro, e caso não tenha retornado o que pode ter acontecido com a casa, com os aquário de peixinhos multicoloridos, enfim com aquela peque e preciosa garrafa que ainda guardava pequena quantidade do maravilhoso líquido criado om o nome de “bebida púrpura”.

A inquietação de Anita é própria da “grande paciência” que envolve a humanidade em novelas de pequenas paciências de todos os tamanhos e tipos a todos atingindo, influenciando e modificando, e no caso desta, Atina, quiçá tenha desparecido com a vinda da matraca que conhecemos já aos 5 anos como o nome de Tone Angélika; e por outro lado da Carminha ainda podemos perceber que muito embora esteja com os muros já caindo, ainda permanece no plano da pequena revolta, apenas abalada no último momento quando conhece o pequeno Tufão Jorge de pouco mais de um ano, e por sinal, preciso falar com este, João Emanuel Carneiro, que isto não é nome decente que se dê para uma criança.

O aparente objeto da grande novela e da grande paciência é o mesmo, o de que cada um individualmente possa conhecer-se a si mesmo, enxergar-se tal qual o é realmente e da mesma forma enxergar o mundo sob novos olhos, o da realidade e o da magia existencial. Carminha está no caminho certo e o Curinga já se enxergou. E nós, como ficamos, já estamos nos enxergando melhor e enxergando que nosso país e nosso povo está caminhando em direção de uma nova grande paciência maior?

Terminados, novela escrita e paciência televisiva, resta agora comprar novo bom livro, que felizmente existem aos montinhos, e o povo esperar que uma nova grande paciência televisiva seja escrita e demonstrada, e se um, o livro, terminou pelo cansaço de Josteim Gaarder movimentar seus dedos no ato de escrever quiçá o outro, a novela, tenha terminado não pelo fim da “grande paciência” que o foi, mas sim, por ter terminado a paciência do povo que a assistia, pois se um, o livro podemos apenas deixar de lado e facilmente retornar depois, tornando-se nosso objeto, a outra, novela, transforma a todos em seus objetivos, pois assiste-se hoje ou não assista mais….. a não ser que um dia volte com o subtítulo de Vale a pena ver de nova, desde que a produção e a pesquisa assim o decidam.

Minha homenagem a uma grande novela da Globo: Avenida Brasil de João Emanuel Carneiro e a um grande livro: “O Dia do Curinga” de Jostein Gaarder da Cia das Letras.

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